sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

* O brincar como primeiro experimento do mundo e como linguagem da criança



Em tempos passados, brincar era algo natural para a criança. Brincavam e ninguém se preocupava com isso.  
Não se falava ou escrevia de suas atividades. Em nossa civilização, predominantemente técnica, a criança está perdendo cada vez mais a sua capacidade original de brincar.  
Certamente as crianças desejam brincar, como o fazem em todos os lugares do mundo e como fizeram sempre, pois brincar é algo inerente ao “ser” da criança.  

“O Brincar da criança é a manifestação mais
 profunda do impulso que conduz ao fazer,
 sendo que neste fazer, o homem tem a
 sua verdadeira essência humana.
 Não seria possível imaginar uma criança
 que não desejasse ser ativa, como o é
 quando brinca, pois o brincar representa a
 liberação de uma atividade que deseja se
libertar do cerne do ser humano”
Rudolf Steiner

Existem muitos adultos que, saudosos, se lembram dos tempos felizes de suas brincadeiras de infância. Certamente, um ou outro, por muito tempo, guardou na gaveta da escrivaninha ou do armário, alguma lembrança desta época.  
Inconscientemente, a criança inicia a conquista das noções de Espaço-Tempo-Mundo, por meio de brincar de pegar um objeto, deixar cair, jogar, ouvir o som dos objetos rebatendo no chão. Para muitos adultos, esta forma de brincar representa um forma de malcriação por parte da criança, que insiste em repetir incansavelmente esta brincadeira.  
Faz parte deste brincar, a participação ativa do adulto, abaixando-se, devolvendo o objeto.
A criança recebe este gesto com alegria imensa e a brincadeira continua para o desgosto de todos aqueles que não tem noção da grande vivência pela qual passa a criança.
Mais tarde, vem o brincar com os grandes ritmos e formas cósmicas: bolas, os balões, as bolhas de sabão, piões, cordas, balanço, etc.
Aprende também os quatro elementos: Terra-Água-Ar-Fogo.
As vivências com o elemento TERRA a criança tem com: areia, cinza, pedregulho, barro, argila, pedras de todas as formas e tamanhos. A criança brinca com prazer neste elemento, não se esquecendo de colocar bastante riqueza em seus bolsos.
Como são maravilhosas as vivências que a criança tem com o elemento ÄGUA, ao fazer flutuarem pequenos objetos, ao chapinhar e pular em poças d’água, barro, brejo, etc. E tudo isso sem a menor noção de que está se sujando. Está inteiramente entregue à sua exploração do mundo!
Quanto ao elemento AR, seu encantamento faz com que interiormente, acompanhe o flutuar, oscilar, pairar, voar dos fios de lã, bandeirinhas, móbiles, aviõezinhos e balões de papel de seda, etc. É quase impossível descrever o que uma criança sente quando faz subir uma pipa (quadrado).
Assim poderíamos ainda continuar descrevendo as vivências com o elemento FOGO.
A força inerente a este brincar singelo, aparentemente simplório, é de tal forma marcante, a este que a mera lembrança destas vivências pode ser tal qual uma ilha de calmaria e conforto no mar revolto de nossa vida como adulto.
O brincar infantil não é apenas uma “brincadeira superficial desprezível” pois no verdadeiro e profundo brincar, acordam e avivam forças da fantasia, que, por sua vez, chegam a ter uma ação plasmadora sobre o cérebro.
Este processo natural e sadio de "criar inteligência" não é possível quando as crianças não conseguem o brincar verdadeiro.
Inúmeras crianças vivem esta situação que podemos chamar de perigosa, em um mundo adulto cada vez mais hostil a elas.
De grande importância são as múltiplas vivências com plantas e animais, que também deveriam ser possíveis em moradias de uma criança grande. Estas vivências ajudam as crianças no seu entrosamento no nosso ambiente terreno.
Os pais que não tiverem outra possibilidade, deveriam pelo menos possuir alguns vasos com plantas, para que as crianças vivenciem o “crescer das plantas”.
É de importância fundamental colocar uma semente na terra e cheio de admiração e veneração observar as primeiras manifestações de vida da planta!
É ótimo Ter um animal, talvez gato ou cão, em casa. Mas, por outro, lado, pode-se  fazer muitas observações sobre animais em passeio, onde podem ser vistos pássaros, besouros, borboletas, etc.
Para que esses momentos surtam o efeito desejado é de suma importância que o adulto esteja voltado com todo o seu interesse, amor e calma interior para a criança e o que está sendo observado.
Evidentemente, “o mundo humano” tem o maior peso no brincar da criança. Este mundo é aprendido pela imitação e fixado na criança pelo brincar de casinha, respeitando os fatos corriqueiros da vida diária, tendo o seu ápice na primeira vivência que a criança tem de si mesma como um EU, vivência que muitas vezes encontra a sua expressão mais profunda no brincar com uma boneca, com a qual se identifica. Tudo isto devemos levar em nossa consciência em uma época da vida em que a procura do sucesso está pondo em perigo, a perder de vista, o HOMEM, a noção do seu verdadeiro “ser” e com isto cada vez menos tem a capacidade de Ter uma compreensão dos processos que transcorrem no interior de uma criança.
É por esta falta de compreensão que se conduz precocemente a criança para o âmbito do adulto, obrigando-a a se adaptar com todo o seu SER à vida dos adultos.
A criança não é um adulto em miniatura, cuja “usabilidade” para a indústria e o comércio precisa ser intensificada.
Quando a educação da criança se baseia no princípio da integração precoce ao mundo do adulto, então já não existe mais sensibilidade para uma legítima formação do ser humano, principalmente ao que se refere aos primeiros anos de vida, que são de importância fundamental para o seu desenvolvimento futuro.
Caiu no esquecimento que o brincar infantil é uma das formas básicas mais importantes e decisivas de formação do ser humano, ao abordar e ativar as forças criativas da criança. Poucos sabem dos malefícios dos brinquedos industriais produzidos em série, de gosto estético duvidoso. Geralmente se apresentam de tal forma, que as forças da fantasia da criança não encontram alimento, pois não há nada a completar, a imaginar e a proteger sobre este brinquedo.
As FORÇAS DA FANTASIA necessitam de LIBERDADE e de MORALIDADE para poderem se desenvolver.
Por esta razão, a criança pequena não deseja encontrar brinquedos prontos para que lhe reduzam as possibilidades por meio de uma pré-determinação de seu uso. Ela quer substâncias elementares da natureza, como já mencionado: Água, areia, pedras, conchas, folhas, cascas de árvore, grama, sementes, pinhas, penas, etc.; com as quais podem dar vazão a seu mundo de fantasia, plasmando e construindo a partir daquilo que se encontra em seu interior.
Quem já observou uma criança profundamente envolvida em seus afazeres no jardim, com uma poça d’água, com areia e pedra, dançando por entre árvore, trepando em restos de um muro caído, amassado e rasgando papel num canto da sala, amontoando caixas vazias, vivenciando as formas cilíndricas de um rolo de papel higiênico, certamente reconhecerá  o que significa para ela brincar cheio de vida. São mundos que a criança descobre, observações que a marcam de forma significativa para toda a sua vida. Pelo manuseio destes diversos materiais, aprende por si só sem nosso ensinamento, importantes leis fundamentais da vida e do mundo. Aprende, por exemplo, o que significa: duro-mole, áspero-liso, maleável-elástico-móvel, em cima-embaixo, atrás-na frente, direita-esquerda, perpendicular-horizontal, equilíbrio-desequilíbrio, quente-frio, leve-pesado. 
Faz vivências com todo o seu ser, sem ter noção de conceitos abstratos ou denominações, que para nós, adultos, são corriqueiros, mas que por outro lado nos dificultam a experiência pura e objetiva dos fatos.
Pelo manuseio ativo dos materiais, a criança vivencia de forma elementar o mundo, as formas e qualidades de tudo o que existe.
A criança ainda está ligada intimamente a tudo, vive totalmente o que a rodeia, não se distanciando dos objetos ou seres, como faz o adulto, que sempre se sente confrontando com o mundo que o rodeia.
Esta individualização é um passo que a criança dará lentamente e que deverá dar sozinha, necessitando de tempo para isso!!!
Devemos aprender a Ter paciência, OUVIR e VER o que se expressa no brincar da criança pequena, sem interferir, pelo julgamento do nosso intelecto, que não tem acesso a esse mundo, dirigindo e desencadeando estes momentos.
Nós nos tornamos servos, secos e frios em relação a esse mundo criativo, original e cheio de forças plasmadoras, que são tão importantes para a verdadeira vida.
Sempre estamos exigindo ordem e limpeza, qualidades muito valorizadas numa sociedade progressista, mas que no brincar das crianças deveriam, conscientemente, encontrar seus devidos limites. (“É tão cômodo deixar as crianças em frente à TV!”)
Ordem e limpeza são conceitos secos do mundo adulto e na realidade são os maiores inimigos da fantasia infantil!
Não tenhamos uma "vertigem" ou um acesso de desespero ao vermos nossos "queridos" chegarem em casa com respingos de tinta, barro pelo corpo todo, as mãos sujas, os cabelos em desalinho ou até mesmos com furos na calça. Pelo contrário, sintamos seu coração palpitando de alegria, seus olhos brilhando, as faces coradas que nos contam: "Veja, estive em outro mundo, um mundo do qual há bem pouco tempo atrás ainda fazia parte".
Poucas pessoas conseguem participar deste paraíso infantil, participar desta felicidade da criança e penetrar neste reino.
Que choque para o "ser" infantil, quando, por meio de um comportamento severo do adulto, é arrancado do rico mundo da fantasia e sonho e é bruscamente empurrado para a realidade do mundo adulto.
Com isso, o prazer original do brincar vai se transformando em timidez e medo, implantando-se o germe de doenças futuras, deformações anímicas e criando-se, finalmente, as raízes do mal na criança.
A atualidade nos fornece provas suficientes para esse desenvolvimento. Criminalidade, uso de drogas, álcool, terrorismo são a conseqüência, entre outras coisas, de um não brincar adequado na infância.
Deveríamos tentar não destruir o brincar da criança nos primeiros sete anos de sua vida, antes que comece a seriedade da vida escolar.
Devemos procurar manter um espaço dentro do tempo e do espaço físico para que ela possa, pelo brincar imitativo, encontrar o seu caminho dentro do mundo e, também, encontrar-se a si mesma.
Quando, por exemplo, com uma colher de pau, alguns trapos coloridos, papel, pincel e cores, rolhas, lã, bolinha de algodão, etc.; a criança consegue construir o seu mundo, que representa uma síntese das vivências que imita do ambiente exterior, com as representações de sua fantasia, então, realmente, estará brincando!!!
Quando a criança molda figuras na areia molhada ou em cera de abelha, de acordo com sua capacidade, ou com o lápis ou pincel, cria as suas obras, que ainda não tem sentido nem finalidades, apenas as cria pela alegria do FAZER. Então, deveríamos deixá-la fazer sem interferir.
A criança deseja experimentar e vivenciar este mundo novo para ela.
O autodesenvolvimento natural da criança será pelo brincar livre.
Baseado no brincar livre é que a criança vai estruturar futuramente sua capacidade de julgamento, capacidade de fundamental importância nos dias atuais.
Quando transpomos o nosso pensar intelectual utilitarista para o mundo infantil, provocamos na criança um comportamento adulto precoce.
É necessário apenas um pequeno passo para que este comportamento da criança precocemente adulto se transforme em um comportamento desumano.
O brincar feliz da infância, num lar harmonioso, certamente será o que de melhor, e mais precioso uma criança poderá levar consigo para a sua vida futura. Com isso conseguirá forças valiosas que levará para um mundo no qual, dia a dia, torna mais difícil a sobrevivência da alma íntegra, da livre iniciativa e da auto-afirmação do EU.
 Maria Bárbara Trommer Texto baseado em: DAS SPIEL ERSTE
 WELTERFAHRUNG UND SPRACHE DES KINDES
Ursula Anders, Elternbrief, Abril, 1982

Fonte: http://topediatrica.blogspot.com.br/

* Lugar de criança dormir é no quarto e na cama (dela!)



Algo muito comum nas famílias com filhos é o fato de estes dormirem junto aos pais. Geralmente esse hábito se inicia após o nascimento, quando o bebê precisa de monitoramento mais próximo, sobretudo no período noturno. No entanto, não é incomum esse hábito se estender a outras fases do desenvolvimento, como a adolescência. Independente do lugar em que os filhos dormem – se na mesma cama ou no mesmo quarto dos pais – há um consenso a respeito da dificuldade em que os adultos enfrentam em fazê-los dormirem sozinhos, que muitas vezes é proporcional ao tempo em que dormem sob a companhia dos pais.

De fato, é extremamente prazeroso ter um filho por perto, sobretudo se este for um bebê. Dormir junto com uma criança é tido como um dos grandes prazeres dos pais: é algo pequenino, inocente, cheiroso e macio, algo por quem se nutre um grande afeto, um ser que traz consigo não só os genes, mas a história do casal. Fazê-lo permanecer por perto é desfrutar de tal prazer continuamente, ali, diante dos olhos e ao alcance das mãos.

Analisando melhor a situação, pode-se perceber que pernoitar com filhos tem outras funções. Agindo assim, é possível reduzir o tempo do choro noturno – ávido pela amamentação ou por colo materno diante de um pesadelo – diminuir o esforço físico de se levantar e de se dirigir até o filho (enfrentando calor ou frio), além de se evitar o desgaste em lidar com a (suposta) resistência da criança em ficar longe dos pais e vice-versa.

Ao passo disso, é possível afirmar que a criança também sente prazer ao lado dos pais: há o conforto da companhia, a segurança que lhe é sentida (que muitas vezes afasta medos infantis), o próprio contato – que muitas vezes lhe falta durante o dia – também são fatores extremamente satisfatórios para ela.

Embora tal contexto traga várias consequências “positivas” para todos os envolvidos, podem ocorrer diversas complicações no desenvolvimento e à adequação infantis. Muitas vezes, quando a criança cresce, os pais tentam colocá-la de volta ao seu quarto e, diante de sua resistência, permitem que ela durma em suas companhias mais uma vez. Esta inconsistência dos limites, que não ocorre de forma contínua, faz a criança entender que sempre há uma possibilidade de permanecer junto a eles. Não é incomum, também, encontrar crianças que tem seu sono perturbado por pesadelos ou por imagens de terror no próprio quarto, situações que favorecem a busca infantil pelo colo paterno na madrugada.

Verificar apenas o comportamento de dormir junto aos pais, na verdade, é algo muito limitado. É possível constatar que este comportamento é apenas um que se manifesta no padrão de dependência. Pais que não se sentem confiantes em deixar suas crianças por um momento longe de seus olhos muitas vezes são aqueles que podem proteger em demasia a ponto de provocar um atrofiamento do repertório de habilidades sociais e das atividades diárias. À medida que a criança cresce, ela desenvolve autonomia em suas ações rotineiras (comer, vestir-se e se limpar, por exemplo); então, nada mais natural que também gerar maturidade ao pernoitar sem a presença dos pais ou cuidadores.

Além disso, também existem implicações para a intimidade do casal. Caso os cônjuges estejam privados de afeto e de sexo ao longo do dia, muito provavelmente o momento de dormir seja aquele em que se dará a intimidade sexual. Assim, como os cônjuges farão para preservar este momento, sem que ele possa ser presenciado por outra pessoa? Na cama, é importante que o casal seja visto como tal, não essencialmente enquanto pais. A intimidade do casal precisa ser reservada e, de certa forma, a presença de crianças pode colocar isso a perder. É de se supor, também, que a manutenção do filho junto aos pais durante o pernoite possa ser visto como uma justificativa e uma barreira para a intimidade em casais que não estão bem.


Cabe destacar que também se observa que a ausência do cônjuge torna mais propícia a companhia do filho na cama. Em casos de viuvez ou de separação, ter a prole por perto pode trazer conforto e ameniza a solidão. No entanto, simbolicamente faz a criança ocupar um espaço que não lhe pertence exatamente, fato que ficará mais claro quando o cônjuge solitário for se unir a outra pessoa. Este pode resistir em constituir outra família em virtude da criança que dorme consigo, com receio de magoá-la ou para evitar resistências quanto a dormir em outro local.

Existem algumas orientações que são válidas neste momento. A primeira delas diz respeito ao período em que crianças podem dormir sozinhas. Acredita-se que aos 6 (seis) meses ela pode dormir sozinha, sob monitoramento noturno dos pais quanto à amamentação e bem-estar geral (temperatura, conforto e segurança). Recomenda-se que os pais se revezem nesta tarefa, para minimizar o efeito aversivo do deslocamento até o quarto do filho e dos cuidados noturnos.

Cabe destacar que o momento de dormir deve ser prazeroso para pais e filhos. Pode-se contar histórias, cantar, ouvir juntos cantigas de ninar, conversar sobre o dia ou sobre um assunto específico. O ideal é que isso seja circunscrito no ambiente natural da criança, ou seja, no seu próprio quarto, ao invés de se iniciar no quarto do casal e terminar com os pais conduzindo a criança, já adormecida, ao seu aposento.

Também é válido organizar a rotina e o ambiente para criar contextos favoráveis ao sono solitário. Assim, estipular um horário para a criança dormir e fazer o restante da casa adormecer (por exemplo, desligar aparelhos eletrônicos e luzes dos aposentos, diminuir o movimento na casa, entre outros), assim como eliminar estímulos distratores dentro do quarto infantil (como desligar as luzes, deixar a porta entreaberta ou proporcionar uma penumbra através do abajur) são dicas salutares que tendem a um bom resultado.

Outra dica se refere ao afastamento gradual [1] dos pais enquanto se ensina a criança a dormir sozinha. Por exemplo, no início do processo, os pais podem permanecer deitados sob a cama, junto do filho, saindo de lá quando a criança adormecer. Após alguns dias agindo assim, quando os pais perceberem que podem se afastar mais, ao invés de ficarem deitados, podem ficar sentados, interagindo com a criança. Diante de sucessivos episódios, podem ficar no quarto do filho em pé e também se direcionando gradativamente cada vez mais para o rumo da porta, até as suas completas saídas.

Como já dito exaustivamente aqui no blog [2], é importante que, uma vez estabelecidos os limites, os pais possam sustentá-los mesmo que o filho venha a resistir. Obviamente, existem exceções que precisam ser avaliadas com cautela, como uma doença, medo ocasional por algum evento específico (como falecimento de alguém) ou mal-estar súbito, casos em que seria necessário avaliar a pertinência de a regra ser mantida. Caso seja relevante suspender a regra momentaneamente, deve-se explicar à criança por qual motivo ela foi burlada, limitando a concessão a este episódio específico.

Diante de limites, é natural haver resistência da criança em aceitá-los. Ela, provavelmente, desafiará através da birra ou dos insistentes pedidos em dormir com os pais pelo medo de ficar sozinho. Deve-se verificar a função destes comportamentos: algumas vezes eles podem ser emitidos apenas com a finalidade de permanecer junto aos pais. Caso haja verbalizações da criança quanto a ficar sozinho e ver/ouvir coisas, uma boa alternativa é verificar, junto com o infante, a veracidade desses fatos: ir ao quarto junto com ela e buscar evidências (debaixo da cama, no armário, dentro das gavetas, entre outros) de que tal situação não procede, assegurando que a criança está em segurança e que os pais podem ficar com ela (no quarto dela) até que adormeça novamente.

É possível que quando houver mudança de casa ou quarto (como em viagens, por exemplo) a criança volte a apresentar tais padrões. É importante dizer que, mesmo nesses casos específicos, a conduta deve ser a mesma: permanecer com a criança no novo ambiente, favorecendo a sua adaptação e esvanecendo aos poucos a presença dos pais. Recomenda-se também que os pais reconheçam cada conquista da criança, demonstrando satisfação quanto à sua superação do medo (“estou feliz por você!”), atribuindo-lhe um prêmio simbólico pela superação (“troféu coragem” ou similar).

No cotidiano verifica-se o quanto o ser humano tende a evitar situações que exigem um esforço (e um desgaste) na resolução de problemas, sobretudo quando as conseqüências são aversivas. Apesar de parecer à princípio que o comodismo é mais válido nesse caso, na verdade é mais fácil e saudável o adulto quebrar a sua zona de conforto agora do que ensinar a criança dormir no seu próprio quarto, quando esta já estiver maior e com o padrão mais cristalizado.


Fonte: http://psicoterapiacomportamentalinfantil.blogspot.com.br